domingo, março 29

Fim de tarde de domingo

Há momentos em que sinto que bastava muito pouco para me apaixonar para sempre por algumas pessoas. Bastava a tonalidade de luz certa, bastava um sol de entardecer, bastava uma abstracção, bastava não haver já um amor maior.

E é uma sensação muito boa.

sexta-feira, janeiro 16

"Uno é o mito, mas não por se referir a uma só pessoa, como crêem alguns, pois há muitos acontecimentos e infinitamente vários, respeitantes a um só individuo, entre os quais não é possível estabelecer unidade alguma."

Aristóteles in Poética

terça-feira, maio 6

Ode à papoila

(à lá Neruda)

Flor amarrotada e desarrumada.
Grito frágil mas seguro, vermelho.
Uma beleza que não cabe em vasos. É flor de bermas, amiga das ervas daninhas e dos baldios.
Tem a força de querer nascer e nasce, a rosa louca das estradas.
É uma flor de espanto, bela, bela como a beleza é: frágil e amarrotada.
Três vezes frágil, sete vezes brava.

segunda-feira, março 31

não quero ficar impune...

segunda-feira, janeiro 28

recortar e colar de cabeça para o ar

É com amor que neutralizamos as personalidades que nos intimidam.

sábado, janeiro 12

Alguma complexidade fascina-me.

Mas a simplicidade, tanto a genuína como a genial, fascina-me e emociona-me.

segunda-feira, novembro 19

quarta-feira, outubro 3




















"Eram duas amigas desfolhando a sorte
Acenando os dotes que a vida lhes deu
Eram duas compinchas a tagarelar
Dispunham de tempo e espaço
O limite era o céu.
Eram duas amigas
Eram unha com carne
Semeando os gestos ao deus dará
Eram protagonistas nos retratos
Entre um decote mais ousado
E um golo de chá
Eram duas amigas
Ecoando ao fundo
No centro do Mundo, onde eu morei
Eram dois segundos de concentração
Vestidos de cores que eu nunca mais descreverei."
Jorge Palma

terça-feira, agosto 14

Escrevo longos romances nas pálpebras, mesmo antes de adormecer.

domingo, agosto 12

Ponho o risco dos lábios em pose séria, curvo as sobrancelhas porque devia estar preocupada, imito-lhes os gestos do mundo real, finjo achar que é mesmo uma chatisse tudo o que muda, tudo o que muda é sempre uma chatisse.
Também penso em coisas importantes, daquelas sérias que importam de verdade, porque alguém muito bonito me falou delas e, encantada, sigo-lhe o pensamento, sinto-lhe o pensamento. Mas sempre por causa de alguém. Porque eu gosto é de ouvi-las, observa-las a ouvir-me. Lê-las. Vê-las por dentro e por fora.
Porque gosto de humanidade.
Do que eu gosto mesmo é de pessoas.